Discurso de senador contra Sarney acaba em bate-boca


Acabou em bate-boca o discurso feito hoje (3) pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). Mais uma vez, o parlamentar peemedebista defendeu a saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Durante o pronunciamento do senador gaúcho, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), aliados de Sarney, fizeram duras críticas a Simon.

Em um aparte, usando de sua poderosa oratoria, Calheiros disse que o esporte preferido de Simon é falar mal de Sarney. “As pessoas intrigam, mas eu gosto de Vossa Excelência. Só lamento que o esporte preferido do senhor nos últimos 35 anos tenha sido falar mal do Sarney. Quando o PMDB indicou o presidente Sarney para ser vice-presidente do Tancredo Neves, desde aquele momento que o senhor fala mal do Sarney, porque queria ser o candidato a vice-presidente do PMDB e não conseguiu”, disse Renan.

“Isso é mentira, o senhor está inventando”, rebateu Simon. Calheiros ainda afirmou que Simon teria, em reuniões fechadas, apoiado a candidatura de Sarney à presidência do Senado. “Sou testemunha das reuniões da bancada em que Vossa Excelência pedia que o Sarney saísse presidente do Senado. Não entendo como Vossa Excelência fala mal de algumas pessoas, pede para as pessoas saírem e, em circunstâncias iguais, Vossa Excelência cala, silencia. Isso é o que lastimo em Vossa Excelência”, argumentou Renan.

“Recebo as afirmações de Vossa Excelência com muita tranquilidade. Acho que Vossa Excelência, como líder e como presidente [ex-presidente do Senado], é uma figura controvertida”, rebateu Simon, dizendo que Calheiros muda de posição conforme seus interesses políticos. “O senhor fez um acordo na China com o Collor e, na véspera dele ser cassado, o largou”.

Visivelmente nervoso, com respiração afegante, Collor disse que Simon deveria “engolir” e “digerir” suas palavras “como julgar conveniente”. “As minhas relações com o senador Renan Calheiros são conhecidas e das quais não me arrependi”, disse Collor, negando a existência da reunião com Renan na China. “O senhor fala sem saber o que aconteceu, não é testemunha. Tudo aquilo é pura invencionice”, afirmou Collor.

Collor diz que, assim como ele, Sarney está sendo vítima da mídia

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), usando de estrategia militar – política responsabilizou hoje (3) a “mídia ou certa parte da mídia” como responsável pela atual crise vivida pelo Senado e também pelo forte apelo para que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixe o cargo. Collor garantiu que o peemedebista não sairá da cadeira da presidência e que o Senado não pode “se agachar” à imprensa.

“Acho que esta Casa não pode se agachar, e não haverá de se agachar, àquilo que a mídia ou certa parte da mídia deseja. Ela não conseguirá retirar o presidente José Sarney dessa cadeira. Não conseguirá”, disse o ex-presidente da República.

Collor, que sofreu impeachment quando ocupava a Presidência da República, em 1992, afirmou que, assim como ele foi, Sarney estaria sendo vítima de uma campanha difamatória. “Sei o que é isso, porque por isso passei, só que em maior escala. Sei como essas coisas funcionam e como isso tudo é feito, tudo é forjado. Sei como tudo isso nasce, desabrocha e sei a quem interessa que o Senado retire daquela cadeira o presidente que todos nós elegemos”, discursou Collor.

Um pouco mais tarde, o senador alagoano voltou a pedir a palavra para fazer o que chamou de “reparos históricos” e, entre outros pontos, disse que a revista Veja teria comandado um esquema para culminou em seu impeachment. “O que sofre hoje o presidente José Sarney, por parte de alguns setores da mídia, é algo que conheço bem, pelas entranhas”, reforçou Collor.

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